terça-feira, 11 de julho de 2017

                                                   


                         ENCANTOS E DESENCANTOS


         


O povo que estava desencantado com o ex-prefeito Everaldo, encantou-se pelo doutor Mauro, um sapo de alta linhagem que logo, logo viraria príncipe, pronto para iniciar uma nova dinastia na Laguna.
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Todos conhecem a história, uma bruxa má transformou o príncipe em sapo. A bruxaria só teria fim quando o sapo fosse beijado por uma linda e boa jovem.
Não seria qualquer piranha travestida de perereca que  poria fim ao sortilégio, aliás, beijos de algumas pererecas, só dão “sapinhos”.
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A verdade é que o tempo vai passando, Laguna vai indo pro brejo e o Mauro ainda não desencantou.

      Quem sabe, na próxima lua cheia de agosto, numa sexta-feira, após a visita do Vampiro o Mauro desencante.

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Os trombeteiros eleitorais já corneteiam pelas ruas da velha cidade.  O projeto do acesso norte, via Barbacena, entra novamente na Ordem do Dia.
O assunto voltará a ser badalado até a eleição do próximo ano.                                                                                     Com certeza, já na festa de São  Judas Tadeu, em outubro, o tema será tratado até nas homilias dos oradores   convidados.
      E  o povo, passivo, mesmo com a classe política desmoralizada pelos escândalos de corrupção, acaba caindo no canto da sereia.
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Enquanto isto, para o nosso Terminal Pesqueiro, políticos acenam com ajuda de um milhão e meio de reais, de Emendas Parlamentares.



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Verba destinada  finalmente, a colocar em funcionamento a Fábrica de Gelo.
__ Qual seria a contrapartida da Codesp, empresa que administra o terminal?
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                               CARNAVAL - 2018.



A Liga das Escolas de Samba da Laguna aprova o projeto Carnaval 2.018. Entidade está autorizada a captar pela Lei Rouanet, a importância de R$ 1.723.226,00.

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Começa, agora a parte mais difícil, a busca por empresas que queiram investir no carnaval das Escolas de Samba, parcela dos impostos  que devem ao governo.
          A participação do governo municipal é indispensável. Sem desfilar no Sambódromo há uns quatro  carnavais, os carnavalescos das Escolas ainda enfrentam a concorrência da Liga dos Blocos (carnaval de praia) que coloca nas ruas, nos dias de folia, mais de 50 mil pessoas. Um filão a ser disputado pelos possíveis  patrocinadores do evento.
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Não está morto quem peleia. Quem sabe nosso carnaval tenha que retornar às origens. Recomeçar tudo, reconquistando a alma do povão, desfilando pelas ruas estreitas do Centro Histórico.
Esquecer o sambódromo?
Por que não?  Ceder os anéis para não perder os dedos.
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RECORDANDO...
Confete, pedacinho colorido de saudade...

   
Naquele ano o desfile das Escolas de Samba acontecia no Centro Histórico, diante da arquibancada armada na Rua Gustavo Richard ( Rua da Praia).
Enquanto as Escolas preparavam-se para entrar na passarela, Pepinha dava seu show particular,  encostado na corda,dançando e cantando diante do povão.                   



Desfile do Xavante. Subitamente Pepinha ficou branco, olhos esbugalhados, coração batendo descompassadamente.

Parecia incrédulo. Jamais vira aquilo no carnaval da Laguna assim, ao vivo...
A passista, destaque da Escola, gingando, de peito aberto, seios de fora, aproxima-se do nosso Pepinha que se ajoelhara, súplice, diante daquelas eróticas bolotas roliças, balançando diante de seus olhos.
Ele fica de pé e tenta dar uma de Mestre-Sala, rodopiando em torno daquela tentação.
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Mesmo contido  pelo pessoal da Segurança, Pepinha continuou ao lado da moça puxando um novo samba-enredo:
“ Mamãe eu quero, mamãe eu quero, mamãe eu QUERO MAMAR...”.
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                                                                                     CATADOR DE LEMBRANÇAS





Arqueólogos e antropólogos estiveram na Laguna analisando o acervo arqueológico do Museu Anita Garibaldi.
   Na Jaguaruna,  Justiça Federal  determina novas medidas de proteção aos sambaquis.
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Aqui na terrinha resolvi dar uma de garimpeiro sentimental. Um catador de lembranças.



Coloquei meu capacete de explorador, roupa de Indiana Jones e parti.

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O sol já me encontrou na área de trabalho, o campinho da Praça Polidoro Santiago.
     Domingo na praça. Futebol reunindo as famílias ao redor do campo.
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O campo, situado entre a  Matriz de N.S. dos Navegantes e a Escola Básica Ana Gondin atualmente é um espaço vazio, cheio de árvores. O povo sumiu.
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Afastei a saudade e segui em frente, colhendo resquícios dos personagens  que por ali passaram.

        Defronte a antiga Capela, numa fenda da calçada, duas relíquias: Uma folha amarelada, do Breviário do Padre Marangoni  e um pedaço da fita da Irmandade de São Sebastião  que teria pertencida ao seu Arão.
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Mais ao lado, um santinho com dedicatória à dona Izaltina  Souza, benemérita da Igreja.
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No campinho, do meio das touceiras, brotam lembranças:   O apito do árbitro Sadyzinho e os restos mortais de uma tornozeleira usado por Walfrido Souza.
No meio de campo senti o bafo de resistência e longevidade do João de Cara e do Elizeu.
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No local de uma das traves, numa caixa de concreto teriam sido enterradas as camisetas do Vasquinho do Brás, Caxias, do Valdo, da Portuguesa do Arduino Vida, do TEP  do Luisinho e do Tupi do Afonso Barreto.
Do CACO ( Clube Atlético, Cultural e Olímpico) encontrei a última   mecha de cabelos  do craque e comerciante Sérgio Castro.
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Ao lado do GE Ana Gondin uma tampa de caneta-tinteiro, usada pelo diretor Ruben Lima de Ulysséa.
   Seguindo as pegadas de bondade deixadas pelo Zé Mala cheguei ao Asilo de Mendicidade Santa Izabel e encontrei num nicho da parede, o Rosário de Dona Joana Mussi.
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Hora da sede. O poço da residência de dona Adalgisa era a salvação. O poço e o carrinho de picolé do Zé Pires.
            Com o coração apertado pela emoção, benzi-me diante do oratório ali existente e tirei o time de campo.

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O PALACETE DA PRAÇA POLIDORO SANTIAGO




Prédio  tombado pela municipalidade, durante o governo de Mario José Remor, totalmente restaurado, já teve fama de mal-assombrado.

__ Durante a noite, almas penadas passeiam pelo porão carregando caixões de defunto.
Esses boatos afastavam os curiosos. Tudo que o Carlinhos Cabral queria.
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Cabral e suas irmãs Olga e Armandina eram beneméritos do Asilo, que fica ao lado do palacete.
Naqueles tempos o índice de mortalidade entre os velhinhos era muito alto.
Para suprir as necessidades de transporte rumo a última morada, Carlinhos montou uma fábrica de urnas funerárias, no casarão.
Tudo no maior segredo. Os vizinhos, por motivos óbvios, não podiam saber de nada.
O trabalho era noturno e  a movimentação dos esquifes deram origem a má fama do casarão.
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