terça-feira, 10 de outubro de 2017

                           
                                       LAGUNA CHEIA DE GARÇA






                                BARBEARIA                                                                                                  






Os primeiros barbeiros surgiram na Grécia Antiga, eram pessoas com grandes habilidades manuais, especialistas, também, em extração dentária, sangrias, etc.

Tempos em que bigode e barba eram símbolos  de honraria e sabedoria.
Somente no século XIX os barbeiros passaram a cuidar, somente, da aparência dos fregueses.
Barbearia sempre foi um local para um bom papo: conversar, filosofar, debater e fuxicar. 
O verbo “tesourar” virou sinônimo de futricar, fofocar, etc.
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Todo homem teve um barbeiro na sua vida, e  cujo nome não lhe sai da cabeça.
     No bairro do Magalhães,  Romeu exerceu a profissão por mais de 60 anos.  Sidney Pegorara se autodenominava “cirurgião estético capilar”.
  No Centro Histórico, o Salão do Zeca Varela reunia a nata da sociedade local.
Nico Cabelão, barbearia com som ao vivo. As madeixas caiam ao som do trinado do seu famoso sabiá.
Zé Barbeiro foi inigualável, tesoura e língua afiadas. Sempre tinha novidades, qualquer que fosse o assunto.
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Atanásio Silveira, o Fígaro, que varou no tempo. Único barbeiro a atuar no miolo do Centro Histórico.
Dizem, que ainda utiliza gumex, glostora e brilhantina no penteado da freguesia.






                       

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JAIR CABELEIREIRO
Proprietário de um moderno salão na Praia do Mar-Grosso.
        A história, que conto hoje, se passa no tempo em que seu salão, ainda, era no Centro Histórico, à rua Raulino Horn.
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Naquele dia, Jair, o mago da tesoura, trabalhava no sacrifício.
No salão, a freguesia de sempre, Ronaldo Calazans, Carlinhos Rollin, Edésio, Babá, Batista Abrahão, Léo.
Jair, gripado, trabalhava de máscara para evitar contágio do freguês com seus perdigotos voadores.
__ Isto não é mais gripe, já virou pneumonia. Sentenciou o Calazans.
__Tem sintomas de tuberculose, falou o Rollin
___O amor está debilitando teu sistema imunológico, advertiu o amigo Leo.
 Jair estava de namorada nova.
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Ignorando as comadres fofoqueiras, Jair, com maestria, utilizava seu instrumento de trabalho na bela e espessa cobertura capilar do Jackson Siqueira.
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Entre um espirro e outro, ouviu falar de um medicamento miraculoso, que era tiro e queda contra qualquer tipo de gripe, do tipo “levanta defunto”.
O remédio era vendido pelo conhecido “homem da cobra”, um cabra da peste, que mascateava a uma quadra dali. Muito bem recomendado pelo Edésio


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Deixando o freguês, ainda ensaboado, saiu em busca da panacéia.
Uma injeção cavalar nas nádegas arrochou a bochecha. Retornou ao salão, suando frio, mais vermelho que camarão cozido.
Levou a mão à cabeça e desmaiou.
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___ Choque anafilático, gritou alguém. Abana daqui, abana de lá, e nada do homem voltar a si.
Bito, proprietário da Ótica Werner, utilizando seus conhecimentos de ioga, fez a imposição das mãos. Inutilmente!
Chega a ambulância do Samu. Direto para o hospital. Sirene ligada.
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Notícias ruins, voam...
A namorada do Jair chegou ao salão, angustiada. Dirigiu-se ao hospital, mas chegou tarde...
__ Não está mais aqui, informou a enfermeira de plantão. A Dorsa o levou.
___ Dorsa?  Seria a Dorsa da lanchonete do  Mercado, ou a Dorsa da funerária?
                                    
___ O que teria acontecido?
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Ao chegar ao nosocômio Jair foi colocado numa cadeira de rodas e devidamente medicado.
Permaneceu algum tempo ali, no corredor, ainda meio sonolento. As moças, que passavam, faziam graça:
___ Se for falta de ar eu vou fazer respiração boca-a-boca.
Sentia-se com um galã. Sorria só de imaginar a cena.
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Nosso paciente, ao sentir o bafo morno de alguém se aproximando, preparou-se para o doce contato daqueles lábios quentes.
Arriscou um olho para ver o rosto daquele anjo, no exato momento em que o Pepinha abria a bocarra banguela para beijar o amigo e benfeitor.
Jair ficou bom, imediatamente. Desceu o morro, quase correndo, esqueceu até o pianço que estava sentindo.
Resumo hospitalar:
___ Não sabemos se o Jair  correu, antes, ou depois do primeiro beijo do Pepinha
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BOTANDO A VIOLA NO SACO.


Em Laguna duas Bandas Centenárias teimam em sobreviver, “União dos Artistas” e  “Carlos Gomes”.
Este ano, durante a festa do Padroeiro Santo Antônio dos Anjos, alguns políticos, importantes, no afã de fazer média com o santo ofereceram às duas corporações musicais, uma verba de 100 mil reais, para cada uma.
Dinheiro para reforma da sede,  compra de instrumentos e etc.
Oferta ganhou manchetes em jornais. Viralizou nas redes sociais.
Santo quando vê esmola demais, desconfia...
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Esta semana, ao cruzar o jardim Calheiros da Graça, encontrei o maestro Deroci.
___ Já receberam alguma coisa, perguntei.
___ Sim, recebemos, um ofício informando que no momento o estado está sem verba.
Em resumo, mandaram que botássemos a viola no saco e fôssemos cantar em outra freguesia.
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