quinta-feira, 4 de maio de 2017




                     OS BOTOS DO PONTAL


Em 1963, em sua segunda edição,  a Antologia Ilustrada do Folclore Brasileiro publicava uma crônica do professor lagunense José Areão sobre a pesca com os botos nos molhes da barra.
             O fenômeno acontece em vários pontos do complexo lagunar: Ponta das Pedras, Areal, proximidades da Delegacia da Capitania dos Portos e Foz do Rio Tubarão, porém, é no Pontal, no canal da barra, que a pescaria  ganha charme, poesia e enriquece o folclore da santa terrinha.
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               A  lenda do boto encantado, que nas noites de lua cheia se transforma num guapo rapaz, que sai à caça de virtuosas donzelas, era contada e recontada por nossas avós, nas longas noites de inverno, ao pé do fogão a lenha.








    E, quando alguma mãe solteira dava luz a uma criança, a paternidade era, sempre, atribuída ao Boto Encantado.
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Nelson foi um dos grandes tarrafeadores do Pontal. Herdeiro do mestre Tido.
Naquela manhã de outono, Nelson chegou tarde, ficou na espera, atrás da turma da  vez, isto é, daqueles pescadores que tinham o direito de arremessar primeiro.
        Enquanto o pescador da vez, ainda recolhia sua tarrafa, Nelson arremessou por cima dele.                                                                   

Tarrafeou o boto, que o arrastou para o fundo do canal.
Nelson submergiu duas vezes, mas, jovem e forte, conseguiu desvencilhar-se da fieira, presa ao pulso. Um enorme susto.
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Após o incidente, alguns pescadores passaram a usar pulseira de borracha no pulso, para amarrar a fieira.
E, o boto?
Uma semana depois já estava “trabalhando” no Pontal.
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FAMA ATÉ DEBAIXO D`ÁGUA.

Este ano, uma multidão compareceu aos Molhes da Barra para assistir a pesca da tainha com auxílio dos botos.
Congestionamento recorde de veículos, tanto na estrada do molhe norte como nos locais circunvizinhos. Carro pra todo lado.
   O que teria ajudado a despertar o interesse de tanta gente?
Sem dúvida nenhuma, as fotos do Elvis Palma difundidas pelas Redes Sociais.
Seu vídeo sobre a pesca com os botos alcançou a incrível marca de 500 mil visualizações.
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Contaram-me que, no domingo, dois botos jovens nadaram até próximo da praia. Abriram uma faixa onde se lia:  

                                                                                                                             

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                                 PERERECANDO, DE NOVO.












FESTA NO BREJO
No “Reino das Pererecas” as meninas continuam sendo prestigiadas. Neste início do mês de Maio, cerca de nove mulheres foram nomeadas para Cargos em Comissão (DO. 2244).
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SAÚDE NA UTI
     O Conselho Municipal de Saúde, de Laguna, continua sem aprovar as contas da Secretaria Municipal de Saúde, dos anos anteriores.  Dizem, que no primeiro quadrimestre de 2.017, a coisa continua devagar, quase parando...                                                                                                                Como última alternativa, alguém sugeriu uma contratação ousada, a CUCA.
        Pelo que dizem os entendidos, somente uma poção mágica será capaz de restabelecer a Saúde Financeira daquela pasta.

                                                                                         ABRACADABRA!



                               


LAGUNA e as datas festivas do mês de maio.

Banda “União dos Artistas” -  1.860.
Sociedade Recreativa 3 de maio -  Ano de fundação: 1.907. 
Colégio Stella Maris  ( Colégio das Irmãs) – 1.911.

Instituições que  venceram a barreira do tempo, e continuam, vivas e saudáveis, merecendo da comunidade lagunense, respeito e admiração.
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NOSSO       CANTINHO


                 LAGUNA, SUA HISTÓRIA, SUA GENTE. 







A TURMA DO REMO







Na década de 30, Laguna possuía dois excelentes clubes náuticos,  o “Lauro Carneiro” e o “Almirante Lamego”.
Suas equipes fizeram história, inclusive participando de competições internacionais.
As guarnições dos barcos eram constituídas por jovens atletas da sociedade lagunense da época: Remor, Amboni,Cabral,Pinho, Carneiro, Alcântara, Queiroz e tantos outros.
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João Queiroz, de respeitável família do bairro Magalhães, trabalhou na firma “ Cabral & Irmão” durante 59 anos e, até no esporte, Queiroz que era um grande remador, fazia parte da guarnição de remadores que tinha o Carlinhos Cabral, como “patrão” (timoneiro).
Ambos passaram a maior parte de suas vidas “remando juntos”.
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Feito o preâmbulo acima, passemos aos “fatos” que, possivelmente, não constam dos anais dos referidos  clubes de regatas.

         Para comemorar a vitória na temporada, os rapazes do “Lauro Carneiro” teriam organizado um baile na Sociedade Recreativa Ideal, do bairro Magalhães.
A “Turma do Remo” acreditava que aquele encontro dançante iria marcar época.
       Finalmente, chega a grande noite. Casa cheia.  As jovens pareciam excitadas na expectativa  de dançar uma “marca” com um daqueles atletas, espadaúdos e bronzeados.
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O mar agitou-se quando ela entrou. Soberana, atravessou a pista de dança  sem olhar para ninguém, como quem sabe que está agradando.
No semblante das outras moças, um sinal de desdém invejoso.
Ela era a Jandira, mais conhecida como a “Galega do Abílio”. Paixão de todo adolescente do bairro. Boazuda, esnobava a piazada, preferia “homens feitos”, diziam.
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A “Turma do remo” logo percebeu que a Jandira era mais um troféu a ser conquistado.
Um dança com Jandira passou a ser disputada pelos atletas do “Lauro Carneiro” e do “Almirante Lamego”. A noite toda.
    Após os primeiros passos e alguns minutos de  silêncio, o rapaz apresentava-se:
___Sou da turma da regata!
___ Percebi, respondia a moça, já senti o remo...
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E assim, durante quase toda a noite, a Galega do Abílio disputou todos os páreos e os remadores foram unânimes  em dizer que em matéria de manejar remo, sem fugir da raia, ela merecia o ouro olímpico, de popa à proa.
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Lá pelas quatro horas da madrugada, Dodô animou-se. Queria bailar com a Jandira.
Dodô, aposentado, fora patrão (timoneiro) da guarnição bicampeã pelo “Lauro Carneiro”.
O “patrão”, responsável pelo ritmo das remadas é sempre uma pessoa do tipo mignon, baixa estatura e pouco peso.

Dodô, com aval da Turma do remo, aboletou-se  entre os braços da galega. Tentou manter o mesmo ritmo dos companheiros de equipe.
A garota logo sentiu a falta do remo. Tentou manobrar o “timão”, inutilmente.
Dodô,  patrão sem remo e sem timão só iria funcionar, com motor de popa.
          Ao perceber o esforço do Dodô para não decepcionar,                 Jandira, preocupada, o devolveu a sua equipe, dizendo:

___Leve-o antes que ele saia daqui num “SKIFF”...
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E assim, teria terminado mais um capítulo da história dos clubes de Regatas na Laguna.
Ficção ou realidade, pouco importa, pois a verdade é que aproveitamos a história para relembrar a existência de nossos Clubes de Regatas “Lauro Carneiro” e “Almirante Lamego”.
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2 comentários:

  1. Pai querido, as histórias do boto sedutor que nas noites de lua cheia se transforma num belo homem vestido de branco e seduz as mulheres é uma das lendas mais conhecidas na Amazônia. Muita gravidez "não prevista" lhe é atribuída. Nao sabia que a lenda tinha navegado por tantas águas tão vastamente dispersas..... O pianista e compositor paraense Waldemar Henrique, exaltou o folclore amazônico com belíssimas canções sobre lendas Amazônicas. Uma delas se chama "Foi boto, Sinhô!" , que dispensa explicações. Segue aqui um link da música, entre outras do compositor.

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  2. https://www.ouvirmusica.com.br/waldemar-henrique/388710/

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